Certos padrões na natureza e nos negócios só são possíveis de serem entendidos após observarmos uma amostra mais significativa de dados.

No início da minha jornada como mentor, por mais que me esforçasse, algumas questões escapavam à minha observação. Justamente pela falta de um entendimento mais global do que acontecia no mercado.

Mas após atender centenas de mentores e aspirantes a mentor, dos nichos mais variados e imagináveis, consegui identificar alguns padrões que se repetem entre aqueles que obtêm mais sucesso e que hoje vivem muito bem de seu conhecimento.

Por isso, decidi compartilhar aqui contigo os 5 fatores principais que não podem faltar para que um programa de mentoria dê certo de verdade.

Mas antes, queria dizer que eu vi muita gente se frustrar e abandonar o sonho. Por isso, acho válido mostrar também o que observei para você ficar alerta e evitar cometer alguns erros.

A Jornada Mais Comum de Quem Desiste

Jornada

Uma pessoa só pode ser considerada um fracasso nos negócios se ela desistir ou tiver que abandonar seus sonhos. Esse é o parâmetro que vou estabelecer aqui.

Para entender esses padrões eu precisei analisar mais a fundo o que se passava no mercado e o que acontecia na vida pessoal e profissional dos meus clientes.

Nos últimos 3 anos eu falei com milhares de pessoas que desejavam viver do seu conhecimento. Algumas delas acabaram se tornando meus clientes, enquanto outras, por algum motivo, não.

Eu aprendi muito sobre o mercado de desenvolvimento pessoal e mentoria ao falar com tanta gente assim.

Ficou muito claro que existe uma jornada quase que padrão nesse mercado. E a maioria acaba tendo que abandonar o sonho de criar um programa de mentoria. Veja aqui mais ou menos como funciona:

  • Estava cansado de trabalhar em algo sem propósito, ser mal remunerado ou causar menos impacto do que gostaria com seu trabalho. Queria deixar um legado e ser reconhecido.
  • Decide que quer usar sua experiência de vida/carreira para ajudar pessoas e ser bem remunerado.
  • Procura autonomia, liberdade, satisfação pessoal, contribuir socialmente, ter rendimentos que permitam uma vida que sempre sonhou, para si e para a sua família.
  • Vai atrás de conhecimento e muitas vezes decide fazer formações que custam em média R$ 6.000. Compra também cursos de marketing digital pensando que essa é a melhor solução para conseguir clientes e ter sucesso. Os investimentos somados chegam, muitas vezes, a valores acima de R$30.000, sem haver nenhum retorno.
  • Ouve de seus treinadores que a melhor forma de começar um programa de mentoria é com o seu próprio networking e fazendo conteúdos para redes sociais.
  • Conhece o conceito de pro bono e pensa ser uma boa ideia para ganhar experiência.
  • Procura na internet por dicas para divulgar seus serviços (online e regionalmente).
  • Faz site, cartão de visitas, contrata agências e gasta muito dinheiro com a preparação de tudo.
  • Sente-se perdido, não sabe por onde seguir e se vê sobrecarregado com as informações divergentes.
  • Muitas vezes já "trava" nessa parte, quando percebe que precisa criar autoridade (os cursos falam sobre isso de forma vaga).
  • Começa a produzir conteúdos, falar com conhecidos, oferecer seus serviços e não tem sucesso!
  • O tempo passa, a conta bancária "grita", começa a perder a confiança e se sentir um impostor.
  • Fica pensando: "o que tem de errado comigo?".
  • Não quer desistir do sonho, mas não sabe o que fazer, porque em todo lugar que procura só querem lhe vender mais um curso, imersão, formação de “master super ultra não sei o quê”.
  • O desespero bate e aqui a maioria desiste e procura outra forma de conseguir dinheiro. Alguns voltam (muito tristes) a trabalhar em algum emprego tradicional, mas continuam angustiados por viver uma vida sem propósito.

O Principal Erro dos Aspirantes a Mentor

Erro

Na minha opinião, o principal erro e que desencadeia uma série de outros erros em cascata, é a pessoa encarar mentoria como uma profissão.

O caminho mais tradicional contempla  escola > faculdade > profissão.

Um dentista, por exemplo, passa pela escola, faculdade e depois ele se considera um profissional de odontologia.

E esse é o modelo mais comum para a maioria das pessoas:

Eu me formo e depois eu exerço minha profissão.

O problema é quando uma pessoa tenta empreender partindo desse mesmo raciocínio.

Então ela começa a olhar para formações, certificados e validações e depois tenta encaixar isso no mercado.

Só que no mundo dos negócios isso simplesmente não funciona.

O mercado só recompensa aqueles que entregam valor em formato de resolução de problemas.

A abordagem acadêmica/tradicional não tem importância quando falamos de empreendedorismo.

Títulos como MBA e Mestrado não vão convencer as pessoas a adquirir um produto ou serviço. Salvo raríssimas exceções em que isso é considerado.

As pessoas compram produtos e serviços pensando em solucionar seus próprios problemas.

Elas não estão olhando para as qualificações e certificados do mentor da mesma forma que um empregador ou recrutador olharia.

As pessoas tendem sim a olhar para os resultados e o potencial de gerar resultados que o programa de mentoria oferece.

E essa abordagem invertida gera inúmeros problemas para os aspirantes a mentor/empreendedor que não se deram conta disso ainda.

Por isso, muitos gastam rios de dinheiro com coisas que não vão ajudar no processo para ter clientes.

Além disso, por ter um foco muito grande naquilo que sabe ou pretende fazer, essas pessoas se esquecem de olhar com mais cuidado para aquilo que o mercado realmente deseja.

Isso faz com que toda a comunicação do negócio fique mais fraca, resultando em dificuldades para criar boas mensagens e boas ofertas que resultem em vendas e satisfação de clientes.

Por mais louco que isso possa parecer, as pessoas que se julgam menos qualificadas normalmente têm mais facilidade para criar um programa de mentoria de sucesso, justamente por não terem um pensamento influenciado.

Elas conseguem simplesmente olhar para o mercado e entendê-lo sem julgamentos antecipados.

Listei aqui alguns problemas que são evitados quando você entende que mentoria é um negócio e não uma profissão:

  • Gastos desnecessários com formações e cursos para se qualificar antes de saber o real problema que vai resolver.
  • Visão menos egoísta e centrada em você – o foco é nos desejos e necessidades do cliente.
  • Evita frustrações por não conseguir vender aquilo que você acha importante, mas que as pessoas não valorizam tanto assim. Não precisa ficar dentro da caixa das formações e certificados que tem.
  • Você não precisa ficar forçando no marketing e vendas, tendo assim uma abordagem mais tranquila, pois você está atendendo uma demanda existente e relevante.
  • Você adquire as habilidades certas e pode aprimorar cada vez mais só naquilo que será útil.
  • Evita a dor de cabeça de achar que precisa de anos e anos e muitos cursos e certificados para ser um expert em algo. Você não precisa saber tudo e ganhar um prêmio nobel, você só precisa resolver o problema do seu cliente!

Mas agora que você entendeu que mentoria é um negócio, você deve estar se perguntando o que precisa fazer para que esse empreendimento dê certo.

Eu identifiquei alguns padrões e quero trazer aqui pra você os 5 fatores principais que são facilmente identificáveis nos programas de mentoria mais prósperos:

1  – Atender uma demanda real do mercado

Demanda

Esse é o principal. Todo o resto pode ser impecável, mas se você não resolver um problema que as pessoas têm, e reconhecem como relevante, seu negócio não vai decolar.

Um programa de mentoria precisa se fazer necessário. Ninguém investe em mentoria se não considerar o resultado que ela pode gerar realmente relevante para sua vida.

Mas não basta que a solução oferecida seja útil. Ela precisa ser empacotada de forma a despertar o desejo do público-alvo. Em outras palavras, as pessoas precisam ter clareza de que se não entrarem para a mentoria, elas estarão perdendo uma grande chance de transformação.

Normalmente os negócios de mentoria que prosperam causam uma transformação muito profunda e fazem a vida do cliente mudar.

Negócios que oferecem melhorias ou formas ligeiramente diferentes de abordar o problema tendem a não prosperar, pois as pessoas buscam uma nova oportunidade de virar o jogo.

2  – Ter Capacidade de Gerar Caixa (Fazer $$$)

Fazer dinheiro

Para ter clientes e fazer dinheiro seu negócio precisa ter 3 engrenagens que devem funcionar em conjunto:

2.1 Estratégia de Atração

Nos tempos atuais, as pessoas são impactadas por  promessas e propagandas a todo momento. Então você vai precisar de um posicionamento forte.

Posicionamento diz respeito à forma que o público enxerga seu negócio. A chave para conseguir ter um posicionamento forte é não tentar ser melhor que os concorrentes, mas sim procurar ser único.

Você precisa mostrar que tem uma nova oportunidade para o seu público e que ele pode alcançar aquilo que mais deseja e já tentou antes sem sucesso.

É importante, inclusive, que você dê um nome para seu método único de gerar o resultado.

Além disso, você vai precisar atrair as pessoas. E a isso damos o nome de tráfego.

Existem dois tipos de tráfego: pago e orgânico. O ideal é utilizar ambos.

2.2 Estratégia de Relacionamento

Você precisa criar um evento online, baseado em uma promessa de transformação que seja clara, concreta e que deixe seus leads realmente interessados e intrigados.

Você deve convidar os leads para esse evento e nele entregar um conteúdo mais denso, que é estrategicamente voltado para quebrar falsas crenças que impedem as pessoas de acreditar que podem alcançar o resultado.

Esse conteúdo também deve mostrar que, com seu método, elas terão um caminho mais simples/rápido/garantido de alcançar aquilo que mais desejam.

Ao final desse evento, você deve oferecer a oportunidade de ter uma sessão de diagnóstico com você. Desse modo, a pessoa vai se sentir mais segura e ter a chance de conversar diretamente com você para tomar a decisão de participar ou não do seu programa de mentoria.

Evite fazer a sua oferta diretamente, a não ser que você já tenha uma grande quantidade de leads e bastante autoridade com essa audiência.

2.3 Estratégia de Conversão/Vendas

A forma mais direta e com maior conversão é com Evento > Formulário > Sessão de Diagnóstico > Oferta

Somente para audiências maiores e aquecidas (com quem você tem mais autoridade) você pode fazer a oferta diretamente no evento. Então, se você está começando, não é boa ideia.

Você precisa fazer uma sessão de perguntas que tragam clareza ao prospect e, ao final, se houver espaço para tal, fazer a oferta.

Você terá a chance de entender objeções na hora e quebrá-las fazendo perguntas e esclarecendo dúvidas. Essa também é a melhor forma de validar e melhorar sua oferta para, na sequência, ganhar escala.

3 – Gerar experiências valiosas para os clientes

Satisfação

Existem 4 áreas de atenção para que você consiga fazer a experiência de seus clientes boa o suficiente para que eles se tornem fãs e indiquem seu programa de mentoria:

3.1 Conteúdo

O segredo para uma mentoria que gera resultados é transformar seu conhecimento em estruturas que podem ser entendidas e replicadas pelos seus clientes.

Não basta saber. Você precisa saber repassar o que sabe.

Isso funciona a nível macro e também a nível micro: a sua mentoria, como um todo, será uma estrutura maior. Cada módulo será uma estrutura dentro da mentoria e, dentro de cada módulo, você vai ensinar estruturas menores que explicam para seus clientes o que deve ser feito em detalhes.

A estrutura deve trabalhar desde o nível emocional até o nível racional. Simplesmente explicar o que você sabe não gera resultados suficientes, pois o cérebro humano fixa muito mais o que sente/experimenta do que aquilo que ouve ou lê.

O modelo de estrutura de mentoria Bmind contempla: História / Estratégia / Tática / Exemplos.

Nessa ordem, você prepara o terreno para seu cliente receber o conteúdo e depois você age de forma persuasiva, convencendo-o com exemplos de que é uma boa ideia aplicar o que acabou de aprender.

3.2 Tarefas

Ninguém fica pronto para ter resultados apenas com a teoria. Você precisará trazer a prática.

As tarefas têm essa função. E essa é umas das grandes razões para os programas de mentoria gerarem muito mais resultados que cursos.

Quem pratica, aprende e fixa o que aprendeu, e vai ter dúvidas que podem ser tiradas com o mentor, gerando uma experiência de aprendizado muito mais rica.

Se a sua mentoria não gerar resultados reais seu negócio não cresce e vai morrer a médio/longo prazo.

A Pirâmide de William Glasser explica didaticamente que aprendemos 80% quando fazemos e apenas 50% quando vemos e ouvimos.

Por isso, você precisará pensar em boas tarefas.

Pirâmide de William Glasser

3.3 Acompanhamento

Quanto mais seus clientes se sentirem acompanhados, mais seguros eles tendem a ficar. Pessoas que se sentem seguras executam, têm resultados e ficam satisfeitas.

Você pode oferecer sessões de perguntas e respostas na sua mentoria, principalmente quando existem tópicos mais delicados ou que exigem maior esforço dos participantes.

Feedbacks em grupo e individuais também tendem a melhorar bastante a experiência do cliente.

Ao longo da mentoria, é possível que você perceba que seus clientes tiveram mais dúvidas em algum assunto. Você pode, então, gravar conteúdos pontuais ou ainda oferecer sessões extras de apoio. Isso faz parte da melhoria contínua da sua mentoria.

3.4 Comunidade

Na pirâmide de William Glasser você viu que a pessoa aprende ainda mais quando ensina.

Em comunidade, isso é possível e gera um efeito exponencial.

Trocar/Ensinar/Aprender/Colaborar/Comemorar/Incentivar/Evoluir

Juntos você e seus clientes crescerão muito mais do que isoladamente.

O efeito social de ver alguém “como eu” tendo resultados é muito poderoso!

4 – Escalabilidade

Escalabilidade

Com os 3 primeiros passos bem feitos você já consegue ter um programa de mentoria e ganhar dinheiro.

Mas para crescer e causar mais impacto, você precisa pensar como um verdadeiro empreendedor. E por isso, você precisa pensar em termos de escala.

O pensamento de que, sem tudo isso pronto não é possível começar, deve ficar longe da sua mente.

O que vou repassar aqui serve para você já ter a mentalidade de crescimento, pois a ideia é que você crie algo próspero e de longo prazo:

1. O segredo para a escala é ter processos encaixados. Fazer funcionar no nível micro/manual para depois fazer no nível macro/automatizado.

2. Usar o conceito de MVP – produto mínimo viável. Validar tudo antes de escalar, para não usar recursos de maneira equivocada.

3. Uma vez que um processo foi validado, você pode tentar delegar/automatizar.

4. Quanto menos decisões que exigem esforço mental você precisar fazer, mais seu negócio vai crescer e você poderá focar no principal.

5. Você deve pensar a nível de time. No início você joga em todas as posições mas, com o tempo, deve contratar pessoas com capacidade de executar e criar seus times.

6. Suporte/Vendas/Tráfego/Conteúdo/Design/Financeiro serão os primeiros times necessários.

5 - Mentalidade do Mentor/Empreendedor

Mentalidade

Lembre-se que nada disso vai funcionar se você estiver preso em pensamentos limitantes e se você não for resiliente.

O processo de validação vai exigir ajustes com ciclos de feedback e correções.

O grande problema é a expectativa de resultados e saber lidar com a sua própria mente nesse processo, dando tempo ao tempo.

As pessoas superestimam o que podem fazer em 1 ano e subestimam o que podem fazer em 10 anos

Bem, a teoria você já tem. Agora chegou a hora de colocar em prática.

Tarefa:

1. Liste 5 problemas/desafios que você mesmo já superou ou já ajudou pessoas a superar ao longo da sua vida :

2. Liste quais são as habilidades que seu futuro cliente precisa desenvolver para alcançar o resultado que deseja:

3. Liste agora quais habilidades você precisa desenvolver como mentor/empreendedor:

Agora que você já sabe o que faz um programa de mentoria dar certo, confira também como identificar o público-alvo da sua mentoria em 7 passos!