Nossa trajetória de vida é composta por um conjunto de crenças, experiências e informações, que moldam a nossa personalidade e determinam as nossas escolhas. E é esse conhecimento que nos dá a capacidade de realizar o que desejamos.

O conhecimento científico é o responsável pela evolução humana, nos auxiliando a entender fenômenos da natureza, corpo humano, entre outras questões.

Porém, o que muitos desconhecem é que há outros tipos de conhecimento que também interferem na nossa compreensão de mundo.

Por isso, os profissionais que atuam na área de desenvolvimento pessoal precisam saber lidar não apenas com diferentes tipos de indivíduos, mas também com os diversos tipos de conhecimento que todos nós adquirimos.

Para auxiliá-lo nessa missão um tanto complexa, trouxemos neste artigo uma visão geral sobre os 5 tipos de conhecimento e como isso pode ajudá-lo a prosperar em seu negócio.

Depois dessa leitura, você estará mais preparado para criar o seu método de trabalho. Veja só!

Conhecimento empírico (senso comum)

Ao longo da vida, todos nós aprendemos uma série de coisas sem estar em uma sala de aula, seja por necessidade, conveniência, tradições culturais ou familiares. São conhecimentos ou habilidades que desenvolvemos naturalmente, como resultado do nosso crescimento, experiência de vida e da convivência com outras pessoas.

O conhecimento empírico é, então, um tipo de conhecimento que se baseia na sabedoria popular (crenças) e é assimilado de forma espontânea, por isso não necessita de investigação ou comprovação científica, já que sua veracidade é reconhecida por todas as pessoas.

Por exemplo: todos sabemos que, quando o céu está escuro, é sinal de que a chuva poderá cair a qualquer momento.

Uma característica interessante deste tipo de conhecimento é que ele pode se diferenciar de um local para o outro ou com o passar dos anos, devido às transformações sociais e culturais de cada povo.

Portanto, se você deseja elaborar um projeto dentro da área de desenvolvimento pessoal, é importante saber verificar o conhecimento empírico de seus clientes, ou seja, suas crenças e seu modo de vida, a fim de compreender como aplicar a sua metodologia de maneira mais eficaz.

Conhecimento científico

Dentre os tipos de conhecimento, este é o mais valorizado e o que demanda mais dedicação do homem, pois, ao contrário do anterior, o conhecimento científico não se desenvolve naturalmente.

O que diferencia este tipo de conhecimento dos demais é o fato de que ele pode — e deve — ser comprovado, e isso deve ser feito por meio de um processo longo, que envolve muitos testes, experiências e observações.

O conhecimento científico, portanto, possui uma metodologia para descoberta, análise e comprovação de um fenômeno.

E é graças a essa metodologia que é possível fazer descobertas relevantes para a evolução humana, nas áreas de física, química, biologia, entre muitas outras, contribuindo para a cura de doenças, por exemplo.

Veja, a seguir, uma breve descrição dos métodos que a ciência utiliza em suas pesquisas.

As metodologias científicas

Método indutivo

Elaborado pelo inglês Francis Bacon (século XVI) o método indutivo é um dos mais conhecidos pelos cientistas. Ele propõe a observação de um mesmo fenômeno diversas vezes para se chegar a uma indução, que é baseada em 3 premissas fundamentais:

  • Observação: observar o mesmo fenômeno diversas vezes;
  • Neutralidade: não ter uma ideia pré-concebida sobre a causa daquele; fenômeno
  • Indução: chegar a uma conclusão prática.

Vamos dar um exemplo bem simples para essa teoria: se você jogar uma bola de uma mesa e repetir essa ação por diversas vezes, ela terá a mesma reação (cair), portanto, pode-se afirmar que todas as bolas que forem jogadas de cima da mesa irão cair.

Essa conclusão generaliza um acontecimento que, a princípio, foi gerado individualmente, o que é criticado por outro teórico, Karl Popper.

Segundo esse cientista, não se pode induzir um fato científico a partir dessas observações, porque as repetições sempre podem produzir resultados diferentes.

Além disso, Popper também não acredita que seja possível permanecer totalmente neutro diante da observação de um fenômeno. Para ele, é impossível observar sem fazer um pré-julgamento do porquê aquilo aconteceu, pois todos temos pré-conceitos que influenciam a análise.

Falseabilidade

Foi essa a ideia que deu origem à teoria da falseabilidade, que defende que um acontecimento só pode ser considerado científico quando é refutável. Nesse modelo, os cientistas realizam experiências para provar o contrário do que foi estabelecido, o que torna o fenômeno válido até que se consiga atingir esse objetivo.

Programa de Pesquisa Científica

Mais utilizada na ciência moderna, na teoria concebida por Lakatos, o pensamento científico é composto por programa de pesquisa científica, buscando o aperfeiçoamento da ciência.

As pesquisas são sempre desenvolvidas a partir de uma ideia irrefutável (tese) e essa ideia dá origem a diversas outras hipóteses, que serão testadas.

Vale destacar que a atuação na área de desenvolvimento pessoal tem tudo a ver com a metodologia científica, pois conforme já frisamos em outros artigos, é fundamental que você crie a sua metodologia de trabalho e efetue testes com os clientes, para garantir resultados concretos.

Conhecimento Teológico ou Religioso

Tão popular quanto o conhecimento empírico, o pensamento religioso é centrado na ideia de que existe uma entidade maior (Deus), que rege a existência humana.

Assim, o papel da religião é dar sentido a fatores que não conseguimos explicar racionalmente, atribuindo ações “sobrenaturais” a um ser divino.

Simplificando, a fé é um tipo de conhecimento religioso, e seus efeitos vão além do que a razão pode esclarecer.

As crenças religiosas pregam que suas “leis” estão acima de tudo, até mesmo da ciência. No mundo, há uma predominância das religiões monoteístas, isto é, calcadas em um Deus único. Elas são o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo.

Já o Budismo, que muita gente pensa ser uma religião politeísta, é mais uma filosofia de vida, pois os budistas não adoram deuses.

O que é importante deixar claro sobre a religião é que, seja qual for a sua crença ou a do seu cliente, ela não deve, de maneira alguma, influenciar na sua forma de trabalho. É necessário respeitar todas as crenças e manter uma postura imparcial, a fim de ter mais oportunidades no seu  segmento.

Conhecimento Filosófico

A racionalidade é a principal diferença entre os seres humanos e os outros seres vivos. E o conhecimento filosófico é oriundo dessa nossa habilidade exclusiva.

A filosofia é uma disciplina que nos leva a refletir, questionar e buscar explicações para tudo o que envolve a condição humana. A vida, a morte, os relacionamentos, o trabalho. Qualquer situação cotidiana pode virar o objeto de estudo de um filósofo.

A proposta desse tipo de conhecimento é fornecer ideias que transformem a realidade. Trata-se de uma matéria racional, mas não da mesma forma que a ciência, pois os fatos que norteiam a filosofia fazem parte do comportamento humano e não são facilmente verificáveis.

Suas reflexões podem basear-se em observações, mas não são pautadas por uma metodologia. Mas, apesar de não exigir comprovação científica, o conhecimento gerado pela filosofia também difere do tipo de conhecimento empírico ou de senso comum, uma vez que ele questiona as relações do indivíduo com o meio onde está inserido.

Relacionando esse tipo de conhecimento com a atuação em coaching, consultoria e ensino de um modo geral, pode-se dizer que boa parte do trabalho é focado na observação e nos questionamentos sobre o seu cliente, portanto, o pensamento filosófico é essencial para se dar bem na área.

Conhecimento tácito

O conhecimento tácito é aquele adquirido por meio da prática repetida e cotidiana. É o que os colaboradores de uma empresa desenvolvem depois de muito tempo trabalhando na mesma área ou função.

Assim como o empírico, ele não é adquirido com conteúdos, mas criado de acordo com as ações e experiências. E também não necessita de uma comprovação.

Claro que, nesse caso, pode haver uma base teórica — treinamentos e informações, que ajudam a executar a função com mais propriedade e aperfeiçoar o conhecimento, porém, o que contará mais é o hábito, pois, com o tempo, o cérebro se acostuma e começa a fazer aquilo quase que automaticamente.

A lição que esse tipo de conhecimento traz para quem deseja exercer uma atividade na área de desenvolvimento pessoal — e que você terá de ensinar aos seus clientes — é que a prática diária é o que leva à perfeição.

Conclusão

Desde que o mundo é mundo, o conhecimento é algo necessário para nossa evolução.

E, se no passado, nossa capacidade de criar e consumir conhecimento já era bastante valorizada, hoje, com as mídias digitais, ela tornou-se uma condição para interagir com a sociedade.

Mas, neste artigo, você aprendeu que o conhecimento humano não é constituído apenas pelo que está escrito ou é verificável pela ciência. Ele é definido, também, pela convivência entre os seres humanos, as experiências individuais, as tradições familiares e culturais.

Considerar todos os tipos de conhecimento é muito importante, principalmente para estabelecer um método na área de desenvolvimento pessoal, uma vez que eles interferem diretamente no comportamento e nas habilidades de cada um.

Gostou do artigo? Então, com certeza você também vai querer conhecer os 5 tipos de inteligência a seu favor no mundo dos negócios!